Menos propaganda e mais marketing para o Gimp
set 9, 2010 1 Comentário
Não tem nada menos profissional do que a bendita comparação. Ainda mais quando isso fica enchendo os resultados de busca do Google com um monte de lixo digital. Uma decisão realmente profissional não vem dessas comparações, e sim da exposição clara do que uma ferramenta pode fazer, com que nível de desempenho, qualidade, e a que custo. Profissionais sérios escolhem a ferramenta X ou Y porque ela faz bem o que tem de fazer e gera lucro no balanço final. No mundo profissional não existe melhor ou pior, “Ferraris ou Fuscas” (aliás, nunca vi uma Ferrari no ponto de taxi), ou coisas do tipo. Tudo que existe é “faz ou não faz”, “rende ou não rende”, “dá lucro ou não dá”. Todo o resto é conversa de adolescente espinhento metido a nerd ou, no caso específico, metido a designer.
Assim sendo, se você quer avaliar seriamente o Gimp, não vá atrás de comparativos, porque não há comparação possível entre ele e o Photoshop. O Gimp nunca foi desenvolvido para ser uma “alternativa” ao produto da Adobe, mas para ser uma ferramenta útil por si mesma. Ele só se torna uma “alternativa a considerar” (o que é muito diferente de ser uma alternativa livre ao outro programa) quando, na hora de escolher minhas ferramentas de trabalho, eu tenho de decidir se preciso mesmo pagar os US$849,00 por cópia do Photoshop (fora os tantos reais do S.O. e do anti-vírus) para fornecer serviços com qualidade competitiva. Pirataria está fora de cogitação! Se a minha avaliação mostrar que eu realmente não posso sobreviver no mercado sem o Photoshop, ok… Vamos às compras! Afinal, se eu sou profissional, o meu trabalho vai pagar a licença, o resto é lucro. Mas se, por outro lado, eu descubro que o Gimp me atende com perfeição, garantindo produtividade, qualidade e lucro, a escolha está feita!
Pessoalmente eu não sei como o Gimp se comporta com imagens gigantescas, como os perfis ICC vão afetar a impressão do meu trabalho, ou se a separação CMYK funciona. Mas se você também não sabe, ou se não sabe nem o que é isso, provavelmente você não precisa do Photoshop. Eu sou designer digital há 20 anos, usei (e ensinei a usar) o Photoshop e hoje uso o Gimp para 100% dos meus trabalhos já há 2 anos (nos 3 anos anteriores eu o alternava com uma instalação do Photoshop pelo wine). Isso foi uma escolha profissional que envolveu até mesmo pesar se valia a pena ou não investir no meu treinamento nesta outra ferramenta.
O que falta às comunidades de software livre em geral é menos propaganda e mais marketing. Eu gostaria muito de ter uma noção da proporção entre os usuários licenciados do Photoshop que o utilizam só para retocar as fotos das férias (que são um grupo que nem do Gimp precisam) e aqueles que editam grandes lotes de imagens pesadas; saber a proporção entre os profissionais usuários do Photoshop que tem de mandar seus trabalhos para uma gráfica e aqueles que os entregam sob forma digital. Esse é o tipo de informação relevante que nós não temos. Sem ela, somos obrigados a apenas arriscar palpites e ficar lendo os intermináveis “debates” sobre o profissionalismo de quem escolhe uma ferramenta ou outra.
Sobre isso, para mim, a questão está decidida: o Photoshop só será profissional quando conseguir fazer um cafezinho e me servir. Até lá, o profissional sou eu!



Não entendo muito de design por me envolver quase que totalmente a programação, mas se nos nao investirmos em alternativas solidas(pagas ou não) o monopolio cego sera mantido sem grandes lucros a nos profissionais da area!!